domingo, 11 de agosto de 2013

Ele era, era quem?

Ele era ateu, budista apenas como trocadilho.
Ele podia viver, mas queria ser cientista.
Sentia sua mente derreter, não era compreensível.
Ele queria um tênis novo, mas tinha preguiça.
Queria entrar no restaurante, mas não entrava.
Queria ver aquilo, mas não parava de andar.
Queria cumprimentar as pessoas, mas parecia invisível.
Ele usava roupas sujas, porque não queria lavá-las.
Podia comprar mais roupas, mas não tinha vontade.
Ele comprou uma bicicleta, com sua imaginação.
Mas vendeu, sem precisar deixar digitais.
Ele cavou um buraco muito raso pra ser um buraco,
muito buraco pra ser um caminho.
Poderia ser comunista, pra não ser individualista.
Mas ele vendeu a bicicleta, então tudo está claro.
Ele só falava de si mesmo, porque não conhecia mais ninguém.
Queria saber das coisas, mas as esquecia
Sabia de algumas coisas, mas ninguém as perguntava.
Perguntavam outras coisas, que ele não sabia.
Ele não sabia nada!
Ele queria ser engraçado, mas não era.
Ele queria agir naturalmente, mas não estava bêbado.
Ele tinha medo do futuro e medo do passado,
Mas ele não tinha passado, o passado já não era ele.
Quem era ele? Ele não mais sabia.
Ele ficava triste, depois passava.
Ele se sentia deprimido, mas depois passava.
Iria dominar o mundo, mas depois passava.
Iria conseguir, mas se entristecia...
Sentia o cheiro da comida, mas não a aceitava.
Queria beber um pouco de água, mas não pedia.
Lhe ofereciam um pouco de água, ele não aceitava.
Lhe ofereciam água, ele não queria.
Ele bebia água.
Ele andava como se tivesse onde ir,
Queria olhar a paisagem, mas não tinha tempo.
"Está indo a algum lugar", mas não estava.
Queria parar e tirar fotos, mas não parava.
Queria comprar uma lembrança, mas passava direto.
Dobrava a esquina, voltava, fingia ter esquecido algo.
Voltava, comprava a lembrança.
O chamavam na rua, queriam cigarro.
O chamavam na rua, pra vender algo.
Ele voltava pra casa,
Descobria o que era super-martingale, mas nunca iria usar
Planejava futuros, mas passava.
Sabia o porque do João Goulart não ter reagido, mas esqueceria.
Imaginava o que as pessoas faziam, não gostava.
Queria um lugar cheio de pessoas, pra ficar sozinho.
Queria ter ideias, mas não tinha.
Tinha ideias que não queria e as condenava.

O ser titubeia

  Nunca devemos supor que o outro tenha sempre algo sábio e bem pensado a dizer, às vezes o ser se esquece do objetivo da fala durante a prá...